Hemodiálise na gestação e nascimento de prematuros extremos
Tamiris Duarte estava grávida de gêmeos quando descobriu uma doença renal autoimune e precisou iniciar hemodiálise diária até o parto. Seus bebês nasceram prematuros extremos, com 26 semanas de gestação, e ficaram na UTI Neonatal por cerca de cinco meses. Hoje, os bebês estão em casa e bem.
Gravidez e diagnóstico
A gravidez de gêmeos foi uma surpresa para o casal, já que a gravidez foi natural. No primeiro trimestre, Tamiris começou a perceber inchaço nas mãos e pés e teve um sangramento, que a fez procurar o hospital. O diagnóstico de insuficiência renal severa veio pouco depois, o que a levou a iniciar sessões de hemodiálise diariamente.
O obstetra Dr. Eduardo Cordioli, diretor técnico de obstetrícia do Hospital e Maternidade Santa Joana, conta que o tratamento ajuda a preservar a saúde da mãe e do bebê quando há comprometimento importante dos rins.
“Ela salva vidas e pode ser feita com segurança, desde que em centros especializados. Normalmente aumentamos a frequência das sessões para manter o sangue mais limpo e reduzir riscos para o bebê”, explica o médico, sobre a hemodiálise feita durante a gestação.
O diagnóstico de Tamiris foi de nefropatia por IgA, ou doença de Berger, uma condição autoimune que atinge diretamente os rins.
“Esse anticorpo se deposita nos glomérulos, que são os filtros do rim. Com o tempo, isso provoca inflamação, o filtro vai perdendo a função e pode evoluir para insuficiência renal que exige diálise”, diz o Dr. Eduardo Cordioli. Entre os sinais estão sangue ou proteína na urina, inchaço e pressão alta, mas muitas vezes a doença é silenciosa, descoberta apenas nos exames do pré-natal.
“A gestação exige cerca de 50% a mais da função renal. Quando a mulher já tem alguma alteração, isso pode fazer a doença evoluir mais rapidamente”, diz o médico.
Leia também: Bebê prematuro: e agora?
Prematuros extremos
Na 26ª semana de gestação, Tamiris apresentou um sangramento intenso por causa do descolamento de placenta, e foi preciso fazer um parto de emergência. Seus bebês, Salvattore e Pietra Felicitá, nasceram prematuros extremos, com 390 gramas e 595 gramas, respectivamente. Eles precisaram ficar na UTI Neonatal por cinco meses, mas agora estão em casa e não apresentam sequelas.
Tamiris precisou continuar fazendo hemodiálise após o parto e aguarda transplante renal.
Leia aqui a matéria completa sobre a doença autoimune da mãe e nascimento dos bebês